12 de dezembro de 2007

Só lamento

Dia de Sol que logo esfria e o cinza invade o céu.
Tarde de chuva que logo abafa a atmosfera.
Bichos em suas tocas.
Mosquitos nas poças d'água.
Efeito estufa, engarrafamento, engavetamento, afogamento, inundação.
Desgraça pouca.
O ranger dos dentes.
Um frio nas juntas.
O gosto da fome na boca.
E o cheiro da chuva (não é da chuva - são esporos).
Um abalo sísmico ao longe.
Os nervos da coluna, todos sobrecarregados.
Ombros arqueados por causa de um peso invisível.
A gravidade em pequenas doses.
Uma gota de cada vez na testa.
De tudo um pouco.
Sou eu o ombudsman da natureza.
Deixe seu recado.
Pegue a senha.
Espere sua vez.
Volte amanhã.
Deixe para depois.
Esqueça.
Hoje é um bom dia para amar, ser amado, comer jabuticaba, beijar na boca e dormir acompanhado.
Pode ser o aniverário de alguém.
De um amigo.
Do ilustre desconhecido da porta ao lado.
Do porteiro.
Do sujeito que faz a manutenção do caixa automático mais próximo da sua casa.
Pode ser um dia qualquer.
Todo dia é um dia qualquer.
Eis o milagre.
Oremos.