29 de novembro de 2007

Um amor

É o mundo, o tudo, o nada, o que basta sem bastar, inominável, indescritível, incrível, uma coisa, um frio na barriga, um toque, um sopro, uma palavra, um sussurro, o gosto, o gostar, doçura que não enjoa, o amargo da língua, todas as formas da matéria, e o que não é matéria também, um choque, um espaço, um tempo, um inteiro, todas as formas, e o que não é forma, a luz, o fazer, o bem, as flores em seu ombro, as estrelas em seu corpo, os astros, o infinito até o fim, um gesto, uma música, um som, o vácuo, os elementos, as cores, inclusive as que não enxergo, o sotaque e o sutaque, os números, as equações, as notas de uma partitura não escrita, a memória, a lembrança, o sorrir, o chorar também, o abraço mais apertado, o elo, o nós, eu e você, o agora, o sempre, o nunca que te largo, o córação, um algo mais, o tanto que, o nosso, o sono, um mais um, o que é, e o que não é também, não é pouco, é o título, o tema, é a regra e a exceção.

Não sei explicar como a combinação de quatro letras dá nisso.

Mas acredito: você é o amor.

É isso.

28 de novembro de 2007

Two Of Us

Se p'ra bom entendedor, meia palavra basta:

E_ AM_ VO__!

27 de novembro de 2007

Plasmando

Obrigado pela compreensão.

Repito esta frase na esperança de que um dia acredite nela; se espero por algo, certamente é pelo ônibus, que às vezes atrasa; espero que as mudas de grama que plantei prosperem; que a pata do meu cachorro melhore mais uma vez, porque o bicho se recusa instintivamente a recuperar-se por completo; espero por esporte; e corro atrás do que é de minha responsabilidade.

Faço força para frente, na esperança de superar minhas limitações; uma força contrária, a reação natural de minha própria força; esta força que me prende ao chão e ilustra ao mesmo tempo o que é força e fraqueza; uma força para trás.

Às vezes correr parece uma boa idéia, mas às vezes a vontade é de cair e não levantar; o senso de humor oscila entre o rir e o rir para não chorar, chorar de alegria, contentar-se com as pequenas conquistas diárias; cair no chão e seguir rastejando, em guerra; às vezes tanto exercício mental é o que impede o movimento.

Eu passei muito tempo observando nuvens, desenhando meus pensamentos nelas; um sopro levou-as embora e tudo ficou claro; isto é muito bom.

Foram boas escolhas, até a pior delas; mas elas não me servem mais, são camadas das quais me despi e mantê-las é um desperdício; estão todas à sua disposição, fique com elas se tiver vontade.

Atenciosamente,
B.

23 de novembro de 2007

Estação Luz

Ele realmente acreditou por anos que seu filho era um ser iluminado, até o dia que uma luz acendeu e ele viu o que era o filho dele.

O outro realmente enxerga em seu filho um Buda naquela pequena tranquilidade; são os pais que não suportam o sossego dos filhos, não o contrário.

Um deles foi buscar a iluminação do outro lado do mundo, e lá descobriu que o mundo sempre tem um lado escuro.

Nos recusamos a acreditar que existe noite em cada um de nós, mas não somos geladeiras.

Falo por mim: não sou uma Brastemp. Não há nada de errado nisto.

E se não conseguimos ver a luz no fim do túnel, é porque, se pensarmos direito, não há túnel.

19 de novembro de 2007

16 de novembro de 2007

Minutinho Marisa

A empregada de um amigo disse que não tinha medo de casar; tinha medo de cair de bicicleta, de cobra.

A vizinha, só por precaução, mandou instalar dois portões eletrônicos na garagem.

Uma menina respondeu ao Dicró que quem gosta de pau seco é cupim.

A Zelda Merda-Zelda MELO, ela deve passar o tempo livre dela procurando maneiras de responder o William Waack à altura.

Eu só quero passar o resto da vida contigo, córação.

7 de novembro de 2007

Teatro para leigos

Um passo
Rápido
E lá se vai
Mais um ano
Um gesto
Abrupto
Cai o pano.