7 de dezembro de 2007

Hmmm

Um som que vem da nuca, bate nos olhos, sai pela culutra e irrita os ouvidos; uma voz ruidosa ao fundo, misturada com o som da televisão ligada, o rádio fora de sintonia, uns dois ou três diálogos ininteligíveis; a paciência fritando, a luz vermelha que acende; cocôtidiano.

Sorte de quem não sente a pressão do tempo, aquela dor no osso, nos músculos, alguma coisa. O nerrrvo exposto. Que vontade de mandar tudo à merda. Claro que é vontade. Mandar à merda mesmo é outro papo.

Chega de papo, de conversa, de discussão, de debate. Debater é muito peixe fora d'água.

Um basta não resolve; mais de um basta parece exagero. Uma bosta, então. E este cheiro de legumes cozidos no ar, uma preguiça de ficar puto. Hoje é dia de falar palavrão.

Um antro de mosquitos na água verde empoçada na casa do vizinho; um tanque para carpas, talvez; mania de velho com dinheiro essa de emperequetar o quintal; essa mania besta encostada no muro da minha casa.

Cada um com seus mosquitos, penso.

São vermes nadando dentro do meu olho esta saudade de ver o mar. São cagoetes meus esta coceira nas juntas dos dedos, esta vontade de tocar; são dez e vinte da manhã. Ouço uma gravação de amigos tocando juntos, ouço mesmo?

Já não sei mais no que presto atenção.