Sigilo
Vou te contar um segredo
Que não posso tê-los
São os pêlos tortos da minha barba
As pontas duplas dos meus cabelos
E a cabeça de vento
Arejada e cheia de espaço
Para você ocupar
Com cantigas e risadas
E olhares meigos
Meio sem jeito
Que ficamos
Com as pernas para o ar
E as mãos para nós mesmos
No tempo seco em que nada mofa
No horário de verão que é sempre cedo
Que logo fecha quando vamos embora
Velhas portas cheias de ruídos
Em que repousam memórias
Impressões digitais
E os nossos gemidos
...