Os Nervos
Sabe como é
Eu não sei
São os nervos
Os nervos à flor da pele
Uma flor vermelha
De sangue
De corar as faces
De pensar na calada da noite
Em frente à TV
De pensar "no que mesmo?"
Na pele que estica-e-encolhe
Entre ondas de calor
E tropéis de frio
De saudade
Nervos em flor
Dos quais eu cuido sem pensar
E de tanto refletir
Cá estou; cego
É o seu brilho ao longe
O cruzeiro em que nos encontramos
Marco do nosso destino
Viagem de instrução
O calor do seu ventre
Em meus braços
A marca dos seus dentes
Nas palavras
A ponta da faca na língua
E um gesto
Um golpe de misericórdia
Eu me vejo no reflexo da faca.