17 de setembro de 2007

TRAUMA

Fome, digestão, gula,fastio, obsessão, neurose, egoísmo
Um olhar desconhecido, uma voz irreconhecível
O toque ríspido da unha no macio da carne
O giz na lousa
Um sussurro
Um murro
Um muro entre nós
A frase que digo, mal entendido
Seu olhar entregue, difícil
E o choro infantil que nos atinge e não mais consola
O conforto dos braços doloridos de quem não tem mais forças
Caímos porque o céu não é o limite
É longe
É onde estão as idéias, os sonhos, onde perdemos o sono
Um som
O ronco do motor em partida
Seu aceno na penumbra, embaixo da lâmpada
Eu canto uma melodia inédita e triste
O gosto na boca é fétido
O que eu disse é besteira, são as palavras de outro na minha boca
E não admito soar estranho aos seus ouvidos
Talvez a minha voz tenha mudado
Talvez eu tenha te segurado errado
Ou tenha perdido o jeito
E me deito nos lençois ainda encharcados
Sinto que nos falta o ar
Mas o céu não é o limite
O limite
É o que existe
Entre
Mim
E
Você
...