SONO
Desculpe-me por ontem
Por falar contigo assim
Exaurido
Se não te dei ouvidos
E respondi com pigarros
Se não tive entusiasmo
Para sorrir
Também não o tinha para ficar bravo
Nem triste
Muito menos acordado.
Desculpe-me pela voz rouca
Pelas pálpebras de chumbo
E os cabelos emaranhados
Por esquecer que às vezes
O cansaço me pega
E me joga contra a parede.
Mas não me desculpo
Pela embriaguez que me causa
A tua voz
O último som do dia
Um suspiro ao longe
O elétrico do teu hálito
Que chega até mim
E diz
Volta a dormir.
Porque eu não volto
Vou a um lugar melhor
Para o teu quarto
Os teus braços
Em que desmaio
E me perco.