10 de setembro de 2007

Butô

Linguagem dos corpos
O choro em seus olhos
E a dor em meu pé esquerdo
Sua pressa
A impressão de que não nos movemos
Não chegamos a lugar nenhum
E esquecemos para onde ir

Estou cansado de pensar
Nos outros
Cansado de nariz escorrendo
E de sal nas sobrancelhas
Farto de me ajustar nestas cadeiras minúsculas
Fadiga nas pernas
A vontade de sair correndo
De dizer não
E de tocar uma música baixinho
Para que só você ouça
Para agredir os ouvidos incultos
E passar o tempo

Se pudéssemos dizer o que pensamos em tempo real, se conseguíssemos tanto
Ah! Se a linguagem não nos impedisse de falar direito
Se pensar não fosse demais

E se pudéssemos pausar o ritmo de nossos corações por um instante
Para que morrêssemos em nós mesmos
O resto que se dane

O resto fica para o guardador de carros
Para os pombos
Para a senhora da barriga dura que caiu em frente à sua casa

Amor
A minha compaixão é um trapo sujo na mais antiga mobília
O meu tesouro, esta caixa vazia
E os lábios inchados
De beijar e de morder os lábios
E o inchaço do flanco direito
O vermelho em meus ombros
As lágrimas secas de quem insiste em não ficar doente
Eu me recuso!

Eu sou mais velho por dentro do que por fora
...